Sábado, 22 de Outubro de 2011

S.O.S

E se eu disser que me perdi no mapa e gritar bem alto, conseguem saber a minha localização e enviar-me uma equipa de salvamento?
Desde que a minha vida se virou ao contrário, que o meu ser passa a vida a dar cambalhotas como se de um malabarista se tratasse.
Algo em mim mudou e o meu coração apresenta-se nos cuidados intensivos, sem melhoras aparentes, apesar de terem embelezado o quarto onde reside, nada mudou no seu estado de coma profundo. Ataco-me a mim própria e não consigo controlar ataques de ansiedade, muito menos de raiva, acho que o mundo está contra mim, então passo os dias em ataque constante com o mundo ao meu redor. Choro porque fico magoada tão facilmente como respiro. Desconto as minhas emoções em quem ficou na minha vida, por aqueles que a deixaram e sigo com um único objectivo, ser feliz. O objectivo está no fundo do túnel e parece turvo, talvez pela minha falta de vista.
O meu porto de emoções está cansado de mim, já não entende a minha fragilidade, já não me quer ouvir chorar, deixou de entender as minhas dúvidas e encontra-se exausto das minhas inseguranças. Até entendo que ninguém me entenda, porque ninguém vive sentado ao lado do meu coração a ver o herói de vinte e três anos sair pela veia cava superior e tornar-se num ser desconhecido, cheio de mentiras e contradições que vou retendo nos meus ouvidos, tentando filtrar e guardar só para mim.
O meu amor vai-me aguentando como quem faz mais um esforço na esperança de eu poder voltar a ser o que era, mas já lhe noto fraquezas. Noto-o frio e distante, menos carinhoso, sem muita paciência, mais agressivo e menos compreensivo. Tudo resultado de um trabalho árduo que venho construindo nos últimos meses em que lhe infernizo a alma e dou facadas na nossa relação. Hoje não tenho esperança de que aguente mais tempo, também sei que merece melhor, e eu não o consigo ser, hoje sei, que não sirvo para ele. Oiço-o atentamente, ás vezes mais do que ele imagina, e já lhe vejo momentos de desprezo para comigo, porque ninguém aguenta um ser humano desorganizado emocionalmente, pelo menos não eternamente.
Nada seria mais terrível do que acabar um ano de puro amor e carinho com desprezo e raiva de mim, mas temo que aconteça enquanto vamos chocando as suas mudanças de ideologias e planos com a minha inconstante maneira de sentir e agir.
Não sei se está avariado, mas o meu coração manda-me mensagens negativas, a minha insegurança está em sobrecarga total e eu estou mais uma vez a ver alguém que amo a fugir. Não quero, mas não consigo controlar este sentimento de desilusão pessoal. Ultimamente grande parte das ideias resultam em choques, decisões e medidas e não sei como agir, porque me forço a isso. Também já vejo mentiras, sem uma explicação e um pedido de desculpas sincero, já me vejo a desaparecer, porque quero compensar pela pessoa que tenho sido. .Não o consigo fazer e estrago tudo. Vejo-me sempre sem razão. Já me acha chata e sente a minha falta apenas quando estou longe. Não sei porquê nem até quando aguentará, simplesmente e só porque eu não me aguento.


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